Mercados Internacionais

Como investir em ativos internacionais e diversificar sua carteira

Descubra como investir em ativos internacionais e proteger seu patrimônio. Diversifique além da B3 com ações dos EUA, REITs e garanta renda em Dólar.

Voltar ao blog

6 min de leitura

Para o trader e o investidor que buscam consistência e longevidade, manter todos os recursos em uma única economia emergente e em uma única moeda, o Real, é uma estratégia que carrega um risco invisível, mas potencialmente devastador.

Neste artigo, vamos romper a barreira do chamado “viés doméstico” e mostrar o caminho para acessar os mercados mais líquidos e robustos do planeta.

Vamos detalhar o conceito de ativos internacionais, explicar a importância estratégica dos títulos de dívida americanos (Treasuries), das ações de tecnologia que moldam o futuro e dos primos globais dos nossos fundos imobiliários, os REITs.

O que são ativos internacionais e a lógica da proteção

De forma direta, ativos internacionais são veículos de investimento que expõem seu capital a dinâmicas econômicas fora das fronteiras brasileiras. Isso pode ocorrer através da compra direta de ações de empresas sediadas nos Estados Unidos, títulos de dívida de governos de países desenvolvidos ou fundos que replicam índices globais.

A principal razão para incluir esses ativos na carteira é a descorrelação. Historicamente, quando o mercado brasileiro enfrenta momentos de estresse, seja por instabilidade econômica, política, fiscal ou crises de confiança, o Dólar tende a se valorizar frente ao Real.

Se você possui uma parcela do seu patrimônio alocada em ativos internacionais, essa parte da carteira se valoriza em Reais justamente quando seus ativos locais estão caindo. Funciona como um sistema de amortecimento, o que chamamos de “hedge” ou proteção natural.

Além da proteção cambial, investir fora permite acessar setores de vanguarda que são escassos ou inexistentes na bolsa local. Enquanto o Ibovespa é fortemente concentrado em bancos, petrolíferas e mineradoras, a “velha economia”, o mercado americano é liderado por tecnologia, inteligência artificial, biotecnologia, defesa e aeroespacial.

Ter ativos internacionais é a única maneira de se tornar sócio das empresas que estão desenhando o futuro da economia global.

Como investir em ativos internacionais: B3 ou conta no exterior?

Houve um tempo em que investir lá fora era um privilégio restrito a clientes de Private Banking com milhões de dólares disponíveis. Felizmente, a revolução das fintechs democratizou esse acesso. Hoje, existem duas vias principais para o investidor brasileiro acessar esse mercado.

A primeira via é pela própria B3. Aqui, você pode negociar BDRs (Brazilian Depositary Receipts), que são recibos de ações estrangeiras cotados em Reais, ou ETFs locais como o IVVB11 (que replica o S&P 500) e o NASD11 (que replica a Nasdaq).

A vantagem óbvia é a simplicidade, pois você utiliza o mesmo home broker e a mesma conta onde já negocia ações da Petrobras ou Vale.

No entanto, a via mais eficiente para quem busca construção de patrimônio de longo prazo é a abertura de conta em uma corretora internacional, como Avenue, Nomad ou Interactive Brokers. Isso permite a “dolarização genuína” do patrimônio. Ao enviar o dinheiro para fora, você elimina o risco da jurisdição brasileira sobre a custódia daquele recurso.

Além disso, o acesso direto permite investir em uma gama muito maior de ativos, incluindo milhares de ETFs de renda fixa específicos, Small Caps e REITs de nicho que não possuem BDRs listados no Brasil.

Renda fixa americana: o porto seguro global

Muitos investidores brasileiros acreditam erroneamente que investir nos EUA significa apenas comprar ações de tecnologia voláteis. Porém, a base de qualquer carteira global sólida começa pela Renda Fixa Americana, especificamente os Treasury Bonds.

Os Treasuries são títulos da dívida pública emitidos pelo governo dos Estados Unidos. Eles são considerados os ativos livres de risco da economia global, lastreados pela maior potência econômica do mundo.

Diferente do Tesouro Direto brasileiro, que paga prêmios altos para compensar nosso risco de crédito e inflação, os Treasuries servem primordialmente como reserva de valor. Em momentos de pânico nos mercados globais, ocorre o fenômeno conhecido como Flight to Quality, ou voo para a qualidade, onde investidores vendem ativos de risco e compram Treasuries, valorizando esses títulos.

Para acessar esses ativos internacionais de renda fixa, o investidor pode utilizar ETFs negociados em bolsa. O ETF SHV, por exemplo, foca em títulos de curtíssimo prazo e funciona de maneira similar a uma conta remunerada em Dólar, com baixíssima volatilidade.

Já o IEF investe em prazos médios, entre 7 e 10 anos, equilibrando rendimento e risco. Para quem deseja especular com a queda dos juros americanos, o TLT, composto por títulos de mais de 20 anos, oferece um potencial de valorização expressivo, possuindo volatilidade quase como um ativo de renda variável.

Ações de tecnologia e o crescimento do S&P 500

Se a renda fixa oferece a segurança necessária, a renda variável americana oferece o motor de crescimento. O índice S&P 500 reúne as 500 maiores empresas dos EUA, corporações gigantescas que geram receitas em todo o planeta.

Investir em um ETF como o VOO ou IVV é a maneira mais simples e barata de apostar no crescimento do capitalismo global, com taxas de administração irrisórias de 0,03% ao ano. Mas para o investidor que busca retornos acima da média, o setor de tecnologia é essencial.

O índice Nasdaq 100 concentra as maiores empresas não financeiras, com um peso massivo em inovação. Através do ETF QQQ, você acessa as chamadas “Sete Magníficas”, empresas como Apple, Microsoft e Nvidia, de uma só vez.

A mentalidade aqui é diferente da B3, onde buscamos dividendos; nos EUA, buscamos o crescimento exponencial de empresas que reinvestem seus lucros para dominar seus mercados.

Proteção patrimonial com ouro e moeda forte

Nenhuma estratégia robusta de ativos internacionais está completa sem os seguros contra crises sistêmicas. O Ouro e o Dólar forte atuam como a última linha de defesa da carteira.

O ouro é um ativo escasso que não depende da promessa de pagamento de nenhum governo. Ele tende a performar bem quando as taxas de juros reais estão baixas ou quando o medo domina os mercados. Você pode investir nele via ETFs como o IAU nos EUA, que possui custos menores que o popular GLD, ou através do GOLD11 na B3.

Manter uma parte do patrimônio em “Caixa Dólar” também é uma estratégia inteligente. Isso oferece a liquidez necessária para aproveitar oportunidades quando os mercados globais corrigem, sem que você precise fazer câmbio em momentos de estresse, quando o Dólar costuma estar mais caro.

Leia mais: Vale a pena investir em ouro? Entenda

Escolhendo os melhores ativos internacionais e a questão tributária

A seleção dos melhores ativos internacionais deve seguir o seu perfil de risco e objetivos. Uma abordagem recomendada é a estratégia “Core-Satellite”. O núcleo da carteira (Core) deve ser composto por ETFs diversificados como o VOO (S&P 500) e IEF (Renda Fixa), garantindo que você capture a média do retorno global. Nas bordas (Satellite), você adiciona ativos para buscar maior retorno ou proteção específica, como o QQQ (Tecnologia), VNQ (REITs) e IAU (Ouro).

É fundamental também estar atento à nova realidade tributária trazida pela Lei 14.754. Agora, os rendimentos no exterior são tributados com uma alíquota única de 15%.

A antiga isenção para vendas de até 35 mil reais foi extinta, mas houve uma grande vitória para o investidor: a possibilidade de compensar prejuízos. Se você tiver perdas em uma operação, pode abatê-las dos lucros futuros para reduzir o imposto a pagar, algo que torna a gestão de risco ainda mais eficiente.

Expandir seus horizontes para além da B3 deixou de ser um luxo para se tornar uma necessidade de sobrevivência financeira. Comece pequeno, estude os mercados e use a diversificação global a seu favor para construir um patrimônio verdadeiramente antifrágil.

Quer saber mais sobre como montar uma carteira global e operar nos mercados internacionais? Siga o Curinga Econômico no Instagram para análises exclusivas e dicas diárias.

Responsável técnico pelo artigo:

Murilo Voznak, de braços cruzados, sorrindo
Autor

Murilo Voznak

Economista e Trader Profissional

Economista formado pela PUC de São Paulo (PUC-SP) e Trader profissional com quase duas décadas de atuação, Murilo Voznak traz a autoridade de quem transita entre teoria e prática com rara consistência. Sua carreira inclui passagens por grandes bancos e um período notável como trader independente, no qual conquistou as maiores alocações de fundos nas principais mesas proprietárias do mundo. Esse histórico traduz domínio técnico e gestão de risco rigorosa, atributos essenciais em uma instituição que valoriza traders com experiência real e conhecimento teórico de mercado.

Além da experiência profissional, Murilo acredita na disseminação do conhecimento como instrumento de transformação. Em 2011, fundou o canal Curinga Econômico, no YouTube, dedicado a ensinar trading, economia e investimentos. Com mais de meio milhão de inscritos, o canal tornou-se referência nacional por oferecer conteúdo prático, direto e confiável, em oposição às promessas fáceis que tanto distorcem o mercado.

Conteúdo educacional. Não é recomendação de investimento.

Próximo artigoMesa proprietáriaMesa proprietária: guia completo para traders que querem alavancar ganhosContinuar lendo